Como era a vida dos portugueses em África antes da independência

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Como era a vida dos portugueses em África antes da independência

Tinham boas casas com espaço, jardim e criados para os servir. O trabalho era exigente, mas ninguém dispensava um copo ao cair da tarde. A era dourada para os portugueses acabou há 40 anos. 

O acampamento estava a acabar de ser montado quando o empresário Manuel Vinhas chegou a Serpa Pinto (actual Menongue, Leste de Angola) com a mulher e os oito filhos. A fogueira já ardia e as tendas de campanha verdes tinham sido distribuídas pelo terreno junto ao rio Kwelei. A família viajara de propósito de Lisboa para quatro dias de safari, mais dois de caminho. À excepção do patrão das cervejas Cuca, que passava seis meses por ano em Angola, viviam todos na Metrópole. Saíram de Luanda de avião em direcção a Nova Lisboa (Huambo).A partir daí, fizeram 150 quilómetros até Silva Porto (Cuíto) e mais 500 até ao destino em dois jipes Willys, sempre de janelas abertas, e num velho Hudson americano que sofria furos sucessivos. O camião da logística levava um dia de avanço. Para quase todos os miúdos, era o primeiro contacto com a vida selvagem. 

A alvorada ficou marcada para as 4h. "Quinze minutos depois estávamos a tomar o pequeno-almoço: bacalhau cozido com batatas, servido em pratos de alumínio", diz à SÁBADO Manuel Vinhas filho, 61 anos. Arrancaram antes do nascer do sol, com um farnel leve. Mais tarde não faltaria caça para comer. Até porque, com a espingarda Winchester Magnum 3.75, Manuel Vinhas era um caçador infalível. Apanharam de tudo e muito: impalas, palancas, pacaças (uma espécie de búfalo mais pequeno e encarnado), rolas, galinhas do mato e pombos. Parte da carne assava-se no mato e só se levava para o acampamento o necessário para as refeições. O resto era entregue aos indígenas. Foi assim durante quatro dias. A fogueira só se apagou quando a família partiu de regresso a Luanda.

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